Mapa de Mosqueiro-Belém-Pará

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jovens de periferia de Belém não têm esperança no futuro, aponta pesquisa

 

Apenas 1% dos jovens do Guamá cursavam o ensino superior.
Trabalho, família e satisfação em concluir ensino médio seriam os motivos.

Jovens de 14 a 29 do Guamá não acreditam em vida melhor. (Foto: Carlos Borges / O Liberal)

Jovens de 14 a 29 do Guamá não acreditam em
vida melhor. (Foto: Carlos Borges / O Liberal)

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, analisou o que os jovens do bairro mais populoso da periferia da cidade pensam sobre sua via e seu futuro. O projeto “Juventude e Resistência: significados e alternativas de participação de jovens em processos coletivos de luta pela melhoria da qualidade de vida” constatou que os estudantes não acreditam em um futuro promissor, nem mesmo por meio da educação.

O bairro do Guamá fica na periferia de Belém e é uma das área do entorno da universidade. A pesquisa sobre os jovens deste lugar foi dividida em duas fases. Na primeira estudantes treinados aplicavam um questionário e realizavam entrevistas com outros jovens. Enquanto na segunda etapa da pesquisa discursões em grupo foram organizadas.

Ao todo cerca de 762 jovens de ambos os sexos participaram da análise. Eles têm entre 14 e 29 anos e responderam questões sobre a renda familiar, moradia, condições de acesso á educação, ao trabalho e ao lazer e ainda como era viver no bairro e as perspectiva de cada um sobre o futuro.

De acordo com a pesquisa, apenas 1% dos jovens do Guamá cursavam o ensino superior, entre instituições públicas e privadas; a maioria era católica; 73% dos entrevistados viviam com até dois salários mínimos; mais de 50% eram mulher; aproximadamente, 60% se declararam negros ou pardos; 30% não trabalhavam e não estudavam; entre os que estudavam, 40% estavam no ensino médio e 19% já havia concluído o ensino médio.

A universidade, para eles, é como ganhar na mega sena" - diz pesquisadora

Umas das questões discutidas foram: O que os jovens pensavam sobre morar no Guamá? Segundo Greyce Reis, estudante do curso de Pedagogia da Universidade e integrante da equipe de pesquisa, muitos deles diziam que as condições de vida no bairro, como a infraestrutura e o saneamento básico, eram péssimas. As principais reclamações, de acordo com a estudante, giravam em torno de saúde, violência e, também, desemprego, já que a maior parte deles não trabalhava.

Outra questão que norteou os debates foi em relação ao acesso à educação e às perspectivas de, por meio dela, os jovens obterem progresso. “A meta deles era, no máximo, o ensino médio. Eles alegavam que se sentiam despreparados para conseguir mais do que isso. Então, eles não tinham otimismo para seguir em frente e pleitear ingresso em uma universidade. Alguns diziam que, se fossem de escolas particulares ou morassem em outro lugar e, assim, surgissem mais oportunidades, talvez tivessem alguma chance de cursar o ensino superior, o qual, nas condições em que viviam, não passava de um sonho. A universidade, para eles, é como ganhar na mega sena”, considera Greyce Reis.

Menos de 1% dos entrevistados cursava o ensino superior (Foto: Ary Souza / O Liberal)

Menos de 1% dos entrevistados cursava o ensino
superior (Foto: Ary Souza / O Liberal)

Sem estudo
De acordo com o levantamento científico, são três os principais motivos para a desistência do prosseguimento dos estudos, a saber, respectivamente: necessidade de trabalhar ou impossibilidade de conciliar escola e trabalho; satisfação em possuir tão somente o ensino médio, o que eles consideravam como “concluir os estudos”; e a obrigação de cuidar de filhos ou uma gravidez inesperada e, assim, a obtenção de novos papéis sociais. “Diante disso, esses jovens diziam que aceitavam qualquer emprego que os proporcionassem dinheiro”, Greyce Reis.

Essa falta de autoestima, de otimismo e de oportunidades desencadeavam outra discussão: a necessidade de qualificação para conseguir um bom emprego. Segundo a discente, era debatido nos Grupos que o mercado de trabalho exige escolarização elevada para, assim, se pleitear uma boa colocação profissional. “Se esses jovens mal conseguiam o ensino médio, como é que eles seriam inseridos no mercado de trabalho?”, questiona.

As dificuldades, estão associados quadros graves de negação de direitos (Foto: Roberta Brandão / O Liberal)

As dificuldades, estão associados quadros graves
de negação de direitos (Foto: Roberta Brandão /
O Liberal)

Lúcia Isabel Silva, coordenadora da pesquisa, destaca que as dificuldades enfrentadas pelos jovens desta periferia representam um quadro grave de negação de direitos. “De forma geral, essas pessoas enfrentam dificuldades para viver o tempo da juventude, que é um tempo de experimentação, de aprendizagem de papéis e de construção de projetos para o futuro", explica.

Para a pesquisadora a falta de acessos a serviços e direitos de qualidade poderiam modificar a vida e as expectativas dos entrevistados durante o estudo. "A esses jovens é oferecida uma educação de má qualidade, não há acesso à renda ou o acesso é precário. As mesmas condições valem para moradia, trabalho e preparação para o mercado de trabalho. Como agravante, muitas vezes, há a exposição a riscos e a violências de diversas naturezas. São jovens que, portanto, precisam de oportunidades de desenvolvimento e, por isso, há a necessidade de políticas públicas mais afirmativas”.

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Pergunta do Blog: Será que a solução será a Eleição do ZÉ CALDO Zenaldo Coutinho para Prefeito de Belém? 

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